quarta-feira, 21 de maio de 2014

Seis em dez microfranqueados têm complexo de inferioridade

Pesquisa aponta que empresários consideram marca mais fraca

A empresária Renata* teve uma microfranquia de reforço escolar durante seis anos. No primeiro trimestre de 2014, contudo, deixou a rede para tocar um negócio independente no mesmo ramo de atividade. Os motivos da desistência foram falta de organização e de suporte do franqueador. 
"Passava e-mail solicitando informações para a empresa e só recebia a resposta depois de duas semanas. Decidi abrir uma franquia para ter suporte, não para operar sozinha", critica Renata, que teve quatro unidades da marca.
Confira sete cuidados necessários para futuros microfranqueados:
Confira se a franquia tem, pelo menos, um ano de operação. Foto: Thinkstock/Getty Images
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Além da desorganização, a empresária afirma que uma microfranquia não tem a mesma credibilidade de uma franquia tradicional. "As pessoas associam o nome a algo pequeno. Além disso, falam que é um tipo de negócio para a classe C que usa a rescisão do emprego", relata.
A percepção de Renata* sobre as microfranquias não é isolada. Pesquisa "Percepções de valor e elementos estruturantes das microfranquias", realizada com 12.561 redes, aponta que cerca de 60% dos microfranqueados têm uma percepção negativa em relação à marca. Nas franquias tradicionais, esse número cai pela metade (30%).
O estudo foi realizado por Pedro Lucas de Resende Melo, Felipe Mendes Borini e Julio Carneiro da Cunha. doutores em Administração da Universidade de São Paulo (USP).
"O microfranqueado sabe que a marca dele é pior que as outras. O começo é até bom porque há uma lua-de-mel com a franqueadora. Após alguns anos, contudo, o empresário começa a desenvolver insatisfação", afirma Resende Melo, autor do livro "Franquias Brasileiras" (Editora Cengage).
Resende Melo destaca também que muitos microfranqueados sequer têm um unidade própria, o que demonstra falta de experiência com a operação do negócio. "O franqueador que não tem unidade própria age de má fé porque sabe que o negócio vai estourar", defende.
Confira infográfico com 50 microfranquias a partir de R$ 5,5 mil:
Para Carneiro da Cunha, especialista em empreendedorismo, apesar dos franqueados terem noção de que uma microfranquia é um modelo mais simples de negócio, eles acreditam que terão suporte do franqueador na empreitada. Por isso, apostam neste formato de empresa. "Há uma restrição financeira muito grande por parte dos empresários e R$ 80 mil [teto de uma microfranquia] é um valor mais acessível", explica ele.
Segundo os pesquisadores, contudo, não são todas as microfranquias que trazem problemas aos empresários. Pesquisar a marca antes de fechar o negócio é o primeiro passo para não correr um alto risco, alerta Carneiro da Cunha.
"Também é preciso analisar o contrato com cuidado para não se surpreender com possíveis cláusulas durante a administração do negócio", aconselha.
A empresária e professora Juliana* é dona de uma microfranquia de educação há dois anos e dois meses. E apesar de gostar da metodologia de ensino da franqueadora, não está satisfeita com o trabalho de marketing da rede. 
"Minha franquia é inferior [às outras] porque ninguém a conhece. A franqueadora não divulga a rede direito. Após o término do contrato [de quatro anos], não pretendo mais ficar com a marca, pois pago por um suporte que não existe e por um marketing fictício", critica ela.
Edson Ramuth, diretor de microfranquias da Associação Brasileira de Franchising (ABF), discorda da pesquisa. "A única diferença desse tipo de empresa para uma franquia tradicional está no investimento inicial. O suporte do franqueado deve ser o mesmo", argumenta ele.
Sobre as microfranquias que não possuem unidade própria, Ramuth destaca que esse fator não é uma exigência da ABF. "Há franqueador que nasceu apenas para se dedicar à marca. Isso [ter unidade própria] não é garantia de sucesso da rede", justifica.
Segundo dados da ABF, as microfranquias cresceram 14% em 2013, contra 16% em 2012. 
*Os nomes das personagens foram ocultados a pedido das próprias entrevistadas
fonte: http://economia.ig.com.br/financas/seunegocio/2014-05-21/seis-em-dez-microfranqueados-tem-complexo-de-inferioridade.html

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