quarta-feira, 21 de maio de 2014

Paralisasões estranhas. Muito estranhas.

O prefeito Fernando Haddad, cada vez mais acuado na cidade que o elegeu para tocar seus destinos até 2016, diante da balbúrdia instalada na cidade de São Paulo ontem por uma inesperada (pelo menos para desinformadas autoridades) greve de motoristas e cobradores de ônibus, promete solicitar à Polícia Federal e à Polícia Civil a identificação dos responsáveis pelas paralisações.
Afinal, raciocina o alcaide paulistano, o sindicato da categoria avisou que nada teve a ver com o movimento. Haddad quer inclusive que se investigue participação obliqua das empresas, informa hoje o jornal “O Estado de S. Paulo”.
Mesmo com algum cheiro de desculpa da prefeitura por sua má gestão em geral da questão do transporte público na capital paulista, um velho recurso à surrada “teoria conspiratória”, não é de todo inusitada a dúvida de Haddad.
Há pelo menos três casos recentes no país, de grande repercussão, e com relativo sucesso em seus objetivos, que soam muito estranhos quando analisados com uma lupa de melhor alcance: (1) a paralisação dos garis do Rio de Janeiro no período de Carnaval, com todas as reivindicações atendidas; (2) também no Rio a greve de dois dias dos motoristas e cobradores de ônibus na semana passada, com grande tumulto; e a ocupação de mais de dez terminais, ônibus abandonados nas ruas e enorme confusão no trânsito ontem em São Paulo.
Os três eventos têm, segundo explicações oficiais, um ponto em comum: não tiveram o apoio, não foram bancados pelos sindicatos das categorias envolvidas. Teriam sido ações de livre atiradores e dissidentes.
É possível. Em São Paulo sabe-se que o sindicado dos trabalhadores urbanos é extremamente dividido, a oposição é forte, há, inclusive acusações de mortes nas disputas entre situação e oposição.
Porém, em todos os casos – e é possível que o “fenômeno” venha a se repetir em outras categorias e em outros lugares do país – surpreende a capacidade dos “dirigentes” de promover ações extensas e bem sucedidas (para eles, naturalmente).
De um lado, uma das explicações, pode ser o evidente esvaziamento dos sindicatos e das centrais sindicais, cujas lideranças vêm perdendo controle de suas categorias, desde que passaram a praticar um sindicalismo oficialesco demais. O esvaziamento das festas de Primeiro de Maio deste ano, tanto a da Força Sindical como a da CUT, mostra isto.
Há uma possível outra vertente: os sindicatos se omitem, agem por baixo do pano, para evitar represálias legais, como multas e outras punições da Justiça Trabalhista. Com punir dissidentes sem mandatos e franco atiradores?
Num caso ou no outro, a situação é preocupante – é o caminho mais fácil para a anarquia e a violência, movimentos sem líderes e responsáveis.

fonte: http://nareal.ig.com.br/index.php/2014/05/21/paralisacoes-estranhas-muito-estranhas/

Nenhum comentário:

Postar um comentário